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Sexta, 09 Outubro 2015 00:00

Projeto mostra o caminho das águas

Divulgação
Trabalho de campo: aprendendo na prática

BOAS PRÁTICAS//Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo orienta crianças sobre importância de preservar recursos hídricos


Por: Marta Moraes – Editor: Marco Moreira

"Estávamos ocupados sendo telespectadores de secas em lugares muito longe e a gente não se dava conta de que isso está muito próximo da gente. O Projeto Água em Foco abre tanto os nossos olhos, nos sensibiliza tanto e faz a gente perceber que a realidade que vemos na TV está muito mais perto do que podemos imaginar”. O depoimento de Maria Eduarda Santos, 12 anos, aluna do 7º ano do Instituto Menino Deus, em Passo Fundo (RS), estimula e fortalece o trabalho do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo, responsável pelo projeto.

Desenvolvido pelo Comitê desde o início de 2015, em parceria com o colégio Instituto Redentorista Menino Deus, o projeto “Água em foco: em busca da preservação dos recursos hídricos” concentra esforços na educação ambiental de crianças e adolescentes da cidade de Passo Fundo – localizada a 229 km de Porto Alegre, na região Norte do Estado - e busca, também, a sensibilização da comunidade para o uso consciente da água e um maior cuidado com os recursos naturais.

SISTEMA NACIONAL

Os comitês de bacias são organismos colegiados que fazem parte do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh), do qual o Ministério do Meio Ambiente (MMA) faz parte, e existem no Brasil desde 1988. A composição diversificada e democrática desses “parlamentos das águas” contribui para que todos os setores da sociedade com interesse sobre a água na bacia hidrográfica tenham representação e poder de decisão sobre a gestão.

Os membros do colegiado são escolhidos entre seus pares, sejam eles dos diversos setores usuários de água, das organizações da sociedade civil ou dos poderes públicos. Entre as principais competências estão a aprovação do Plano de Recursos Hídricos da Bacia; arbitrar conflitos pelo uso da água, em primeira instância administrativa; estabelecer mecanismos e sugerir os valores da cobrança pelo uso da água.

O PRIMEIRO DE MUITOS

O projeto, pioneiro para o Comitê e para o colégio, foi desenvolvido com duas turmas do sétimo ano do Instituto, e envolveu 44 crianças - entre 12 e 13 anos - que, desde março deste ano, estão imersas em atividades que vão além da sala de aula. As ações envolvem o apoio dos membros do Comitê na explicação teórica e prática dos conceitos a serem estudados.

Segundo Claudir Luiz Alves, presidente do Comitê, a crise hídrica no País tem trazido à tona a questão da gestão das águas e, por isso, é importante a população debater e levar o tema para dentro de casa. A boa aceitação do projeto nos meios de comunicação e os resultados obtidos motivaram a procura de outras escolas para a realização do projeto no próximo ano.

ATIVIDADES

Através de diferentes atividades – realizadas mensalmente e baseadas em datas que relembram os aspectos ecológicos, tais como o Dia da Água e o Dia do Solo -, o projeto vem estimulando a formação de cidadãos críticos e ativos na sociedade com as questões ambientais, buscando a mudança de atitudes e mobilização social.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, por exemplo, comemorado no dia 5 de junho, os estudantes participaram de um passeio guiado que os levou da nascente do Rio Passo Fundo às estações de tratamento de água e esgoto da cidade. “Achei muito legal conhecer coisas que não sabíamos. Descobrimos muita coisa nova. Pudemos interagir uns com os outros e vimos que o ecossistema depende de cada coisa que existe nele”, afirmou Eduarda de Oliveira, de 12 anos.

A agenda do projeto incluiu apresentações sobre o cenário atual da água e o papel do Comitê; visita técnica ao Museu Zoobotânico Augusto Ruschi (da Universidade de Passo Fundo) para compreender a biodiversidade; e atividades práticas, como o Caminho das Águas.

ESCLARECIMENTO

Para o secretário substituto de Recursos Hídricos do MMA, Marcelo Medeiros, essa iniciativa é uma boa maneira de os alunos se envolverem com a questão ambiental de forma mais próxima e consciente. “É fundamental esclarecermos crianças e adolescentes a respeito do planeta em que vivem e sobre o papel de cada um na preservação do meio ambiente”, destacou

Marjulie Gregoris, professora de Língua Portuguesa do colégio, concorda com ele. “A iniciativa foi muito gratificante e produtiva, pois levou para nossas crianças o conhecimento sobre as bacias e a gestão da água, valorizando a importância que a água tem para o nosso planeta”, afirmou.

Além das atividades, a proposta do projeto compreende, também, a produção de spots gravados pelos alunos e a elaboração de um livro que reúne todo o material produzido durante as atividades. Depois de cada encontro, os alunos foram desafiados a produzir textos, desenhos e poemas que retratassem o aprendizado da atividade. A obra será lançada no final do ano.

O CAMINHO DAS ÁGUAS

A atividade “Caminho das Águas” cresceu e se transformou num projeto para outros públicos além do infantil, desenvolvido em parceria com a Companhia Rio Grandense de Saneamento (Corsan) e a Companhia de Desenvolvimento de Passo Fundo (Codepas). Nessa ação, grupos de diferentes idades tomam conhecimento da relação do rio com a sociedade, e todo o caminho das águas. “É explicado o processo pelo qual a água passa até chegar à torneira das casas, e também, depois que ela se transforma em esgoto, instigando os participantes para o uso racional e consciente desse recurso”, explicou o presidente do Comitê.

No ano de 2015, entre os meses de março e a primeira quinzena de setembro, já foram realizadas 21 expedições com alunos de ensino fundamental, médio e superior, contando com a participação de mais de 1.100 pessoas.

Durante a atividade os participantes são instigados a observarem o cenário ao seu entorno e a visualizar as coisas boas ou ruins presentes nos locais visitados, estimulando processos de ensino-aprendizagem, e firmando valores e ações que contribuam para a preservação através da sensibilização de uma sociedade justa e ecologicamente equilibrada.

Segundo Margarete Zanon, diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Salomão Iochpe, o Caminho das Águas valeu muito mais do que a aula numa sala porque, além de ouvir, os alunos puderam ver, observar e sentir o caminho. “É importante ressaltar que o interesse dos alunos foi essencial para que o aprendizado fizesse sentido. Eles aprenderam na prática e isso valeu muito para que eles pudessem compreender a importância de cuidar do nosso rio. É um aprendizado para a vida toda”, afirmou.

 

Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA) - (61) 2028.1165


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